
Governo Lula articula para blindar ministros Toffoli e Moraes na CPI do Crime Organizado
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva montou uma articulação política no Congresso Nacional para tentar evitar a convocação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli na CPI do Crime Organizado do Senado. A estratégia, que tem provocado controvérsias no meio político, ganhou repercussão na manhã desta terça‑feira, 24 de fevereiro de 2026.
Requerimentos para mudar o foco da CPI
Na ofensiva, o líder do governo na Câmara, Randolfe Rodrigues (PT‑AP), e o senador Jaques Wagner (PT‑BA) apresentaram 21 requerimentos com alvo em nomes da oposição e alinhados a governos anteriores. Entre os pedidos estão convocações de políticos como o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas, ex‑ministros de governos anteriores e ainda o ex‑presidente do Banco Central Roberto Campos Neto.
A leitura feita por aliados do Planalto é que, ao ampliar e diversificar a pauta de requerimentos, a comissão pode ficar ocupada com uma série de outros temas enquanto os pedidos específicos para ouvir Toffoli e Moraes — tanto como convidados quanto para convocação formal — perdem espaço na agenda.
Controle da pauta pela base aliada
A CPI do Crime Organizado é presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT‑ES), que controla a definição dos temas que serão votados nas sessões. Esse controle facilita a inclusão imediata dos novos requerimentos protocolados pelos governistas, mesmo sem consenso entre os membros da comissão.
O governo tem dito, nos bastidores, que a iniciativa não é uma “blindagem” em sentido técnico, mas sim uma tentativa de equilibrar os focos de investigação e evitar que a CPI se transforme em uma plataforma de ataques políticos dirigidos à atuação do Judiciário. Parlamentares governistas consultados pela imprensa disseram que é necessário preservar as instituições e garantir que a comissão trabalhe de forma equilibrada.
Oposição afirma ter votos para convocar
Mesmo com a movimentação governista, líderes da oposição afirmam que há votos suficientes para aprovar a convocação dos ministros — e que a estratégia de ampliar a pauta seria apenas uma maneira de protelar os debates mais incômodos para o Palácio do Planalto. Atualmente, a CPI conta com 12 integrantes, dos quais cinco são alinhados com a oposição. A possibilidade de um sexto voto, do senador Alessandro Vieira (MDB‑SE), poderia tornar viável a aprovação das convocações sem depender do voto do presidente da comissão.
Repercussão política
A notícia repercutiu rapidamente no cenário político e nas redes sociais, com protestos marcados em algumas capitais contra o que setores da oposição chamam de “capivarazinhas” — termo pejorativo usado para designar manobras parlamentares complexas usadas para impedir votações desfavoráveis. Manifestantes devem usar slogans como “Fora Lula, Moraes e Toffoli!” em atos previstos para os próximos dias em cidades como Belém (PA).
Contexto da CPI
A CPI do Crime Organizado foi criada para investigar supostas atuações de grupos criminosos e possíveis relações com poder político e econômico no país. A comissão já analisa pedidos de quebras de sigilo, convocações de empresários e familiares de autoridades, incluindo questões ligadas ao Banco Master e contratos que envolveriam familiares de figuras públicas — como a esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e até irmãos de Toffoli.